top of page

Água dos oceanos está a mudar de cor

As alterações climáticas têm vindo a modificar as características do fitoplâncton marinho, uma mutação que perturba o ecossistema de milhões de exemplares de espécies subaquáticas. Mas não é só essa alteração que está a afetar os mares, alertam especialistas dos sete continentes.



A vida selvagem está em risco e os oceanos são os que mais preocupam os especialistas que analisam a evolução ambiental do planeta. O mar está a mudar de cor. As alterações climáticas estão a afetar o fitoplâncton marinho, o que indicia uma ameaça crescente. O alerta foi dado por um grupo de investigadores de universidades europeias e americanas nas conclusões de um estudo internacional divulgado publicamente, em meados de fevereiro de 2019, pela publicação científica especializada Nature Communications.


Sem medidas que o contrariem, a subida das temperaturas altera o espetro de luz solar refletida e muda a composição desta substância, essencial a muitas espécies. A sua distribuição nas águas também acaba por ser afetada. Se não forem reduzidos os atuais níveis de dióxido de carbono atualmente emitidos, até ao fim do século a temperatura da água deverá subir cerca de 3º C, uma situação que terá consequências ainda mais gravosas. "O aquecimento altera a circulação oceânica", adverte mesmo Stephanie Dutkiewicz.


"A porção [de águas] do oceano profundo emerge à superfície. O fitoplâncton necessita de luz, que é a sua fonte de energia, assim como de nutrientes. E a maior parte deles vem das profundidades [do mar]", sublinha a coordenadora do estudo, uma das investigadoras do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), nos EUA, envolvidas no projeto. "Estas alterações estão a fazer com que cheguem menos nutrientes à camada superficial [do mar], pelo que o mais provável é que o fitoplâncton diminua em muitas zonas", antecipa.


Oceanos estão mais ácidos


A poluição crescente e continuada, agravada pelo depósito de máscaras individuais no mar na pandemia, ainda agrava mais o problema. "Façam, pelo menos, uma coisa que ajude a reduzir as ameaças às espécies marinhas", apelou publicamente António Guterres, secretário-geral da ONU, em sintonia com Ivone Higuero, secretária-geral da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES), no discurso que fez no Dia Internacional da Vida Selvagem em 2019.


Especialistas em todo o mundo têm alertado também para o aumento das emissões de dióxido de carbono, que nem sequer o confinamento global imposto pela pandemia viral de covid-19 conseguiu travar no período de maior isolamento. Ao absorverem um volume crescente de CO2, os oceanos têm vindo a tornar-se mais ácidos. "Têm, hoje, uma acidez maior do que há 800.000 anos, que afeta as espécies marinhas, incluindo o [fito]plâncton, as que vivem em conchas e os corais", alertou então uma reportagem do canal CNN.


Para além de reduzir as emissões de dióxido de carbono e a poluição, é essencial reforçar a aposta nas energias renováveis para diminuir a quantidade impressionante de petróleo que continua a ser, todos os anos, derramada no mar. Reordenar as pescas é outra das necessidades apontadas numa altura em que os stocks de peixe continuam a diminuir um pouco por todo o mundo. No sul de Espanha, um grupo de cientistas espanhóis associou o aumento global das temperaturas a problemas de oxigenação e salinização no mar.

Kommentare


bottom of page